A Efemeridade da Vida
A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou.
— Sêneca.
Temos diferentes percepções da passagem do tempo. Diariamente e intuitivamente repetimos o mantra de que “bons momentos passam rápido”. Mas essa interpretação do tempo pode ser tão polissêmica que, após alguns anos, nossa perspectiva muda de tal forma que as lembranças se tornam longas e proveitosas em nossas memórias. Entretanto, quando não vivemos de acordo com nossos princípios e postergamos as ações que alimentam nosso espírito, o tempo tende a parecer fugaz e ainda mais inexorável.
Os princípios nos regem e materializam objetivos inalcançáveis. Por vezes, quando alguém objetiva algo alcançável, algo desprovido de virtude, como algum bem material, essa pessoa alcança de forma fugaz um alto grau de felicidade. Essa felicidade tende a voltar a níveis normais, pois a riqueza material proporciona alegrias momentâneas. A percepção mais básica que podemos ter, para evitar esse fardo, é a que o dinheiro não pode ser o fim, mas sim a ferramenta.
Não é honesto dar caráter de virtude para a pobreza, visto que, de acordo com dados do World Data Lab, praticamente metade da população se encontra em situação de pobreza ou vulnerabilidade. Para que uma pessoa possa viver conforme seus princípios e ser sincera ao que acredita, ela não pode se preocupar exclusivamente em sobreviver. É preciso dar a esses indivíduos condições de exercerem suas virtudes e princípios.
É necessário dar foco ao verbo “exercer”. Empiricamente, por vezes, indivíduos que lutam diariamente para sobreviver, convivem com todo tipo de dificuldade e lidam com todo tipo de pessoas tendem a ter mais empatia. Negar algo para o outro, que foi negado a você no passado, é como dizer “não” para si mesmo. Daí vem aquela percepção de que quem menos tem tende a compartilhar mais. A maioria dessas pessoas tem facilidade em desenvolver empatia, a qual, junto da consciência, se tornou o cimento capaz de edificar todas as outras virtudes conhecidas.
A empatia se desenvolve na prática, a consciência através de reflexão e pensamento crítico. A empatia é o que permite a comunicação, já a consciência nos tira de um mundo ilusório. Ambos são chaves para que possamos criar conexões verdadeiras e aumentar nossa percepção de que o tempo foi bem utilizado. É preciso ouvir, observar e visualizar nos outros um pouco de nós mesmos. O ser humano constantemente erra ao se analisar, então ele se enxerga através dos outros. Há uma diferença significativa, mas difícil de perceber, entre se enxergar em outras pessoas e deixar que outros te definam. O primeiro funciona como um ensaio, já o segundo como uma armadilha.
Quando deixamos que outros nos enrijeçam, acabamos não cabendo na fôrma dos nossos princípios. Precisamos ter controle da nossa forma e isso muitas vezes significa recomeçar. É importante olhar para trás com o sentimento de que, mesmo recomeçando, o tempo foi bem investido.